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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Caça-Fantasmas

Remake do sucesso dos anos 80 volta para mostrar para "quem você vai ligar"

19 de julho de 2016 - 21:31

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bannerEsse texto começaria com desculpas aos machistas, misóginos e fãs xiitas de plantão, mas nenhum deles merece desculpas. Muito pelo contrário até, já que ainda é digno de prazer vê-los sofrendo diante das novas Caça-Fantasmas, que não só se mostram tão interessantes como os originais, como ainda dão uma lição de como se fazer um reboot.

Sim, Caça-Fantasmas é o melhor que se pode fazer em termos de refilmagem. O novo filme dirigido por Paul Feig não só é uma incrível homenagem ao original de 1984, como faz aquilo que todos reboots deveriam fazer por obrigação: ser um novo filme. Novas piadas, novas situações, uma nova premissa e, principalmente, novas personagens.

Saem os quatro comediantes do original (na verdade nem saem assim, já que fazem participações no filme) e entram em cena um quarteto de comediantes tão habilidosas, competentes e engraçadas como eles. E o melhor de tudo, sem deixarem uma só casquinha de recalque para comparação.

Nele, Kristin Wiig e Melissa McCarthy vivem duas especialistas no oculto que tomaram dois caminhos bem diferentes depois de escreverem um livro sobre o assunto. Wiig é Erin Gilbert, e se transforma em uma professora renomada vestindo um terninho sem graça em uma faculdade esnobe, enquanto McCarthy vive Abby Yates, que continua pesquisando “o outro lado” em um faculdade toda esculhambada, agora com a companhia da engenheira/“faz tudo” Holtzmann (Katie McKinnon). O caminho das três acaba se esbarrando diante da aparição de uma fantasma em uma antiga casa de Nova York.

A quarta Caça-Fantasma, Patty Tolan (Leslie Jones), surge quando um outro fantasma surge no metrô, o que acaba sendo a segundo de uma série de aparições que obrigam elas a enfrentar uma espécie de invasão fantasma na cidade, tudo movida por um vilão tentando se vingar de uma vida de bullying. Sim, parece exagerado, mas ele é um vilão maldoso que quer acabar com o mundo, não teria como não ser exagerado (então, nem pensem em reclamar disso!).

O quarteto então faz um trabalho incrível, tem uma química afiada e não perdem um segundo de tela sequer. Wiig continua ótima enquanto McCarthy, pela primeira vez em sua parceria de três filmes com o diretor, tem a oportunidade de interpretar uma personagem sem nenhuma falha mental e muito menos sem tirar suas piadas de seu peso. Volta à cena a Melissa McCarthy feliz e simpática que conquistou a todos em Gilmore Girls e não o esteriótipo tosco de Missão madrinha de Casamento.

Já o resto do quarteto conta com uma Katie McKinnon que rouba completamente a cena com sua loucura, personalidade e presença, enquanto Jones fica um pouco atrás, diante principalmente, de um timming ruim da montagem que deixa algumas piadas delas se alongarem demais. Por fim, e talvez a grande descoberta do filme (e ainda falando em timming!), surge Chris “Thor” Hemsworth no papel do secretário das Caça-Fantasmas, impagável, engraçadíssimo e uma “homenagem” a todas loiras acéfalas que o cinema já criou.

E essa acidez com que Caça-Fantasmas trata o personagem de Hemsworth ainda está presente no resto do filme com uma fluidez e uma inteligência que não permitem que o filme seja refém dele, mas ao mesmo tempo, não impede que todo chorume que circulou em volta das notícias do remake saia impune, como nas várias piadas que desoneram a opinião do usuários das redes sociais. Para o azar deles e para a sorte dos espectadores “que prestam”, que irão morrer de rir.

Mas a grande vingança de Caça-Fantasmas vem diante de um filme que funciona e é divertido até o último ectoplasma gosmento. Tanto pelas piadas, quanto pelo esforço de recriar uma franquia desde seu começo sem nem por um segunda se apoiar nos originais. E o melhor de tudo, sem perder o foco, contando com um visual incrível (os efeitos especiais estão ótimos) e até conseguindo criar uma trama até mais interessante (pelo menos a premissa é muito mais criativa), já que dessa vez coloca o quarteto de heroínas frente a frente com uma quantidade enorme de fantasmas de tudo quanto é forma, tamanho e “gosmência”.

Caça-Fantasmas então é um prazer enorme para os fãs do original (fãs de verdade, não aqueles misóginos), que se divertem com as referências e ainda têm a oportunidade de ver uma franquia tão querida voltar às telas. Mas mais do que isso, é uma enorme oportunidade para uma nova geração ter para quem ligar caso algo estranho aconteça em sua vizinhança.

Críticas desse e de outros filmes você pode encontrar no CinemAqui