Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

A grandiosidade nos games

Em todos os jogos, há aqueles momentos que sabemos que ficará para sempre em nossas memórias. Pontos épicos que fazem todo aquele jogo valer a pena. Na coluna desta semana, discutimos como identificá-los em meio de tantas sensações que proporcionam.

27 de abril de 2017 - 09:28

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Aviso: desculpe-me leitores, não queria começar com essa frase chata, mas este texto possui vários spoilers de diversos jogos. Prosseguir colocará a história de determinados games em xeque.

Você controla Noctis, enquanto corre sozinho por toda a cidade de Altissia, enquanto na tela aparecem vários soldados Magiteks, atacando-o em seu caminho. Você os confronta, mas observa que ao longe, o mar está dominando todo o local. Isso se deve à Lunafreya, que enfrenta pessoalmente a divindade marinha, a serpente gigante chamada de Leviathan. Ela tenta convence-la de que Noctis é digno de seu poder, mas a entidade está em ira por ter sido despertada e com uma onda gigante tenta atacar tanto a cidade quanto a própria Lunafreya.

Após correr pela cidade inteira enfrentando os inimigos e desviando dos destroços da destruição de Leviathan, alguns eventos o levam a se levantar para defende-la da divindade. A partir disso, acontece um dos maiores momentos de Final Fantasy XV (Xbox One, PS4). Noctis enfrenta a gigantesca serpente marinha, voando para se provar digno de seu poder e confrontando usando seus poderes reais, enquanto Leviathan mergulha, invoca ondas gigantes, tenta desferir mordidas entre outros (com a cidade de Altissia sendo devastada abaixo dos dois).

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Leviathan destrói Altissia em meio ao confronto, lhe mostrando qual a magnitude de seus poderes e como você é “pequeno” perante a divindade.

Para quem joga videogames, há momentos especiais no enredo, que empolgam e fazem todo o jogo valer a pena. Porém, existem alguns “mágicos” que trazem um momento épico, uma batalha de proporções catastróficas e entregam um verdadeiro espetáculo visual para os jogadores. Chefões, cenas que ficarão para sempre em sua memória, passagens pelo game que lhe chocam por sua significância no cenário geral.

Como citei anteriormente, o confronto com Leviathan foi, para mim, um dos momentos mais épicos que já vi em um videogame na vida. O impacto visual, o peso que a cena traz da cidade em destruição e a tentativa de defender a princesa, você controlar Noctis voando (literalmente) em torno deste gigantesco monstro que parece ter vontade própria…foi impagável. Em opinião pessoal, eu amei The Legend of Zelda: Breath of the Wild e acredito que será o jogo do ano em 2017…mas em apenas um momento, um lapso de um combate, Final Fantasy XV foi além das aventuras de Link.

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Não se engane, encontrar as feras divinas em The Legend of Zelda: Breath of the Wild pela primeira vez também são marcantes.

Todos temos jogos quais identificamos este ponto. Nosso coração até bate mais forte quando nos deparamos com eles no meio da jogatina. Por exemplo, joguei toda a franquia principal de Halo (até o mais recente, o quinto game para Xbox One) e, para mim, nada supera a cena do terceiro game, enquanto você domina o campo de batalha em seu veículo junto com a tripulação da Federação, com vários carros destruindo o exército inimigo, surge o robô Scarab. Ele é tão imponente e seu raio é tão devastador que você não faz ideia de como destruí-lo a princípio. Mas você tem de enfrentar. E isso eleva o game a uma excelência absurda.

Não se engane, caro leitor, estas cenas não precisam ser somente contra chefões. Há momentos em games que lhe dão esta sensação também. Em Final Fantasy VII (a franquia tem seus méritos, não posso negar), do primeiro PlayStation, tem muitas cenas marcantes, mas você ver Cloud fugindo da explosão da empresa manipuladora Shinra montado em uma moto enquanto a dirige e enfrenta soldados que vão atrás de você por vingança fez o game tomar outra direção. Particularmente, mal posso esperar para ver esta cena no remake que sairá para o PlayStation 4 (e possivelmente Xbox One).

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Cloud foge da explosão da Shinra em uma moto, mudando totalmente o gênero do game em alguns instantes.

Também do PlayStation, cito Chrono Cross (deve ser a décima vez que cito ele em minhas colunas, perdão por isso leitores). Ele também possui momentos épicos, mas o game começa “tímido”, sem mostrar direito ao que veio e nem sua ligação com o game anterior, Chrono Trigger (Super Nintendo). Quando esta conexão é feita e você chega na famosa Leene Square (onde ocorre a Millenium Fair), descobre todas as ligações entre os dois jogos e se vê no meio de um problema maior ainda, o jogo te obriga a fugir de um ataque iminente da combinação dos dragões que já enfrentou.

Peço desculpas novamente pelo spoilers e por falar assim “desenfreadamente” de alguns jogos. Para quem não joga, isso não passa de um amontoado de balela e sentimentalismo perante determinados games. Mas se você joga, se está seguindo focado naquela história e sabendo das limitações técnicas que seu videogame carrega, quando encontra algo que lhe faz o coração explodir de alegria, não há outra reação a não ser esboçar um sorriso e em sua memória saber que este momento estará gravado para sempre.

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Em Chrono Cross, a Millenium Fair é um ponto impactante que conecta duas histórias de forma épica.

Todos que tocam num videogame, sendo sincero, precisam de um momento assim. Um desafio tão grande, no meio da calmaria, que o faz levantar do sofá/cadeira e pensar “isso é espetacular”. Não só nos videogames. Sem empolgação, a vida vale a pena? Momentos onde nos sentimos lisonjeados por termos enfrentado e vencido desafios complicados em nossos dias não são satisfatórios? Algo que nos tire da mesmice, um “tranco” para nos lembrarmos que há grandiosidade neste espaço mísero no tempo que chamamos de vida.

Eu já disse isso, mas os videogames são um espelho de nossas vidas de forma interativa. Lapsos de história, de comparação com o que vivemos, usados como ponto de reflexão em muitos instantes. Até um dos games mais violentos, God of War, o faz pensar. Quem acompanhou sabe que sua esposa e filha foram assassinadas num plano nefasto do deus grego Ares. Acuse e julgue o game do que for, mas você não reflete no que faria caso as pessoas que você mais ama perdessem a vida? A vingança pode não ser o melhor caminho, mas até onde você iria por aquelas preciosas almas?

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 Você acreditou que Kratos era uma pilha de destruição em massa e um guerreiro rancoroso? Até ele tem suas razões para agir da forma que acredita ser a correta.

Isso se reflete em vários outros momentos durante a jogatina de qualquer game. Em Batman Arkham Knight (Xbox One, PS4), após alguns eventos, Batman tenta defender a delegacia de um ataque de um exército de tanques de guerra comandados pelo próprio Capuz Vermelho. São 60 tanques que você enfrentará sozinho em seu Batmóvel. Ou no jogo Kingdom Hearts 2 (PS2), onde o final coloca Sora e Riku, os dois amigos que estão vencendo a rivalidade entre eles em um confronto contra Xenmas. O espetáculo de luzes e trabalho em equipe consegue te fazer terminar o jogo com um sorriso largo de ter passado por aquele momento.

A vida inteira buscamos momentos que fazem sentido. Algo que nos faça sorrir, que nos permita aproveitar e dizer a nós mesmos “vencemos”. Não vamos ser hipócritas, procuramos por algo assim a vida inteira. Eu, você, seus pais, irmãos, vizinhos, independente de quem for. Algo que traga nossa grandeza interior. Vencer um desafio tão grande que, ao final dele, saibamos o quanto tudo lhe possibilitou que chegasse à vitória. Levando pro lado pessoal, eu tinha o sonho de me formar na Faculdade de Jornalismo e alcançar isso foi glorioso. O dia da formatura foi “mágico” para mim. Este foi meu lado no “mundo real”. Como um espelho, o virtual também vai te dar algo do tipo, se você souber onde buscar. E assim ambos se entrelaçam.

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