Coluna 3
Jairo Sergio de Abreu

Hora da Verdade

A parte final da corrida eleitoral para a Prefeitura de Santos é um dos destaques da coluna do jornalista Jairo Sérgio Campos

13 de novembro de 2020 - 19:03

Compartilhe

Após 16 anos, os santistas chegarão às eleições sem efetivamente saber o que ocorrerá em uma eleição municipal. Se, afinal, a Cidade terá ou não segundo turno e, se houver, quem será o candidato que disputará com o representante do PSDB, Rogério Santos, líder nas pesquisas. Assim como ocorreu em 2004, os indecisos darão a tônica nesta reta final.

Liderança consolidada

Com crescimento contínuo nos levantamentos Enfoque/Boqnews, Rogério Santos avançou de 19,2% para 36,8% na estimulada na comparação das consultas realizadas entre 17 a 20 de outubro e a publicada nesta edição, concluída na última quarta-feira (11).

Troca de cadeiras

Houve mudança na disputa pelo segundo lugar. Após a formalização do apoio do presidente Jair Bolsonaro, o candidato do PSD, Ivan Sartori, passou de 4,3% em outubro para 10,2% agora. Perderam espaço os candidatos Banha – MDB (antes, 12,7%, agora, 6,8%) e Vicente Cascione – PROS (antes 7%, agora, 3,6%). Os demais variaram dentro da margem de erro, de 2,8 pontos percentuais para mais ou menos.

Dúvida cruel

Com 1/5 dos eleitores indecisos, fica difícil cravar se haverá ou não segundo turno. Afinal, o crescimento de Sartori pode estar associado à queda de Banha e Cascione, a medida que o eleitorado de ambos são semelhantes – eleitores que não querem o candidato apoiado pelo prefeito Paulo Alexandre ou defendem o segundo turno.

Voto útil

Portanto, não será surpresa se nesta reta final ocorra a transferência de votos, ou seja, os eleitores poderão migrar seus votos contra o candidato do PSDB. Resta saber se isso será suficiente ou não para impedir a vitória de Santos já no primeiro turno, que também poderá avançar entre os indecisos.

Dúvida cruel I

Outra questão importante a ser levada em consideração é a confirmação do voto. Ou seja, após responder na estimulada em quem votaria, o entrevistado apontava se referendaria ou não o seu voto. Apenas 51% assinalaram que “certamente votarão no candidato apontado”. Portanto, na prática, existem ainda mais indecisos que os registrados na pesquisa. Fica claro que eles podem alterar os resultados nesta reta final.

Dúvida cruel II

Conforme a pesquisa, entre os mais avaliados neste item, Douglas Martins (PT) é o que tem o maior índice de confirmação de voto (82,8%). Já entre os mais citados, Santos tem 77,8% de confirmação; Sartori, 75,8%; Banha, 65,4% e Cascione, 61%. Portanto, ter o segundo turno ou não passa pelos bastidores desta contagem regressiva.

Pandemia

Outro fator deve ser levado em consideração. Em razão da pandemia do Covid-19, o índice de abstenção poderá surpreender. Entre os eleitores com menos de 60 anos, 84,3% afirmaram que pretendem votar. Mas entre os que estão acima desta faixa etária, integrantes do grupo de risco, o índice cai para 60%. Isso significa que candidatos que apostaram as fichas neste público-alvo poderão ficar a ‘ver navios’.

Prancheta na mão

Diante de tanta indefinição, até assessores comissionados da Prefeitura e autarquias municipais foram às ruas para ouvir a população em pesquisas, sem critérios técnicos nem registro oficial. Temem perder a ‘boquinha’?

Renovação?

Ainda que o número de indecisos ao Legislativo seja elevado, a renovação na Casa deverá ser baixa.

Quem Responde?

Como…
pode Santos liderar o total de mortes pela Covid/100 mil habitantes e ser o município que mais gastou no combate à doença?