Ponto de vista
Incongruência econômica
Números recentes da economia brasileira apontam para uma sensível redução da produção industrial, com queda da atividade em diversos setores. No sentido inverso, os gastos de custeio com a máquina pública – valores que excluem as despesas com saúde, educação, sociais e repartição de receitas com estados e municípios – cresceram substancialmente, o que evidencia um desequilíbrio cujas consequências danosas à população já são por demais conhecidas.
O aumento significativo das despesas permanentes, especialmente para com o funcionalismo e à Previdência Social, se tornam perceptivos porque já comprometem o ritmo de desenvolvimento das obras públicas, notadamente as inseridas no alardeado Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Os reflexos da gastança, em um futuro próximo, ameaçam também trazer prejuízos à formação da poupança interna, utilizada para direcionar ações de longo prazo, podendo igualmente comprometer, de forma duradoura, a capacidade de o País produzir superávits primários mais expressivos, deixando assim de contar com esse importante trunfo caso volte a ter necessidade de se promover novos ajustes fiscais quando precisar.
Percebe-se assim, de forma clara, que o Governo Federal mantem em curso sua estratégia de apoderamento da máquina pública, notadamente objetivando garantir sua base de sustenção política no Congresso Nacional, a partir da concessão de cargos e benesses aos apaniguados. Ao longo da história são muitos os exemplos das consequências negativas geradas pelo inchaço das máquinas administrativas, que invariavelmente resultam em sucessivos déficits orçamentários e no aumento dos volumes pagos a título de juros para rolamento de dívidas de custeio.
Da mesma forma, a necessidade de cada vez mais recursos para cobrir déficits revela-se como o principal combustível para impulsionar processos inflacionários, cujas resultantes maléficas são muito conhecidas por várias gerações de brasileiros. Lamenta-se, portanto, que ao invés de priorizar a destinação de recursos exclusivamente aos projetos sociais e de melhoria da infraestrutura produtiva nacional, o Governo comandado pela presidente Dilma Rousseff (PT) opte por dar preferência ao financiamento de ideários partidários visando o objetivo de perpetuação no poder.
Nesse sentido, torna-se imprescindível a mobilização da sociedade civil em torno da necessidade de exigir das administrações públicas o estabelecimento – e fiel cumprimento – de políticas de investimento de longo prazo, desatreladas do risco de sofrer com as constantes interferências dos processos eleitorais e cartilhas partidárias. O País já não mais necessita de salvadores da pátria ou planos econômicos mirabolantes, mas apenas a utilização coerente e austera dos muitos impostos arrecadados da população, que muito paga pelas poucas contrapartidas que lhe são oferecidas.