Meio Ambiente
Luiz Nascimento

Jornalista e professor universitário

Mudança climática já pode ser considerada irreversível

Se cada vez mais as pessoas entenderem a gravidade da situação do meio ambiente, certamente haverá mais consciência e a mudança ou um movimento mais contundente dela virá com mais agilidade. Afinal, tudo começa nas casas, nos locais onde as pessoas moram, sozinhas ou acompanhadas

29 de setembro de 2014 - 15:58

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A comunidade cientifica vem há muito debatendo e mostrando, por intermédio de estudos e pesquisas, que a o clima está mudando no nosso planeta há passos de gigante. Na 19ª conferência do clima em Varsóvia, na Polônia, realizada em 2013, os 190 participantes aplaudiram de pé Naderev Sano, delegado polonês, quando manifestou-se aos prantos: “O que meu país tem sofrido como resultado deste evento climático extremo é insano. A crise climática é insana. Podemos deter esta insanidade aqui em Varsóvia”. Sano foi aplaudido de pé.

Ao que parece, esse alerta cada vez mais desesperado se quer tem cutucado os donos do poder no mundo, que não manifestam qualquer sensibilidade. O sistema capitalista já demonstrou que não está preocupado com as questões climáticas, pois busca apenas resultados que apresentem lucros materiais e fomentem mais acumulação de riquezas na mão de cada vez menos pessoas e grupos.

É o conceito desequilibrado do quanto mais melhor, não importa o quanto isso seja desumano e negativo, em vários aspectos, para o conjunto da humanidade. E o que é pior: trata-se de uma postura que vai trazer consequências para os próprios gananciosos que estão por traz da exploração inconsequente dos recursos naturais do planeta.

Exemplo disso é a insistente tentativa de exploração de petróleo no Alasca. Como tem divulgado o jornal Ambiente Brasil, nos últimos relatórios apresentados ao mundo por entidades, como IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que reúne especialistas do mundo inteiro, não faltam dados e conclusões que se tornam advertências gravíssimas. Em novembro, um outro trabalho, ainda mais amplo, será anunciado. E há ainda o programa de Meio Ambiente da própria ONU (PNUMA) e o relatório do Programa Internacional do Estado dos Oceanos (IPSO).

Entre outras, esses documentos apontam informações de que a acidez e a temperatura da água dos oceanos vêm aumentando por motivo de menos absorção de dióxido de carbono(CO2). Segundo estudiosos do aquecimento global este é mais um dos motivos do aquecimento do planeta.

Estudos e registros da agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos também comprovam que a temperatura do mêsde agosto de 2014 foi a mais alta desde 1880, como revela o Ambiente Brasil. Este fato é mais uma preocupação de cientistas que buscam a todo momento sensibilizar governos, principalmente dos Estados Unidos e da China, que ainda não levam a sério as análises científicas que estão em curso.

Todos esses trabalhos acabam levando à conclusão de que as mudanças climáticas já podem ser consideradas irreversíveis. Porém, elas precisam ser contidas, para que não ocorra um drama que pode não deixar testemunhas para as próximas gerações.

Então, diante desse quadro, o que podemos fazer? Podemos e devemos continuar fazendo o que já é feito, mas ampliar o campo de ação. Intensificar a divulgação dessas informações e o debate nas escolas, em todos os níveis, é um caminho. Promover encontros públicos sobre isso é outro, além de levarmos esse alerta para dentro de casa.
Se cada vez mais as pessoas entenderem a gravidade da situação do meio ambiente, certamente haverá mais consciência e a mudança ou um movimento mais contundente dela virá com mais agilidade. Afinal, tudo começa nas casas, nos locais onde as pessoas moram, sozinhas ou acompanhadas.

A mudança maior é a que acontece de dentro para fora, do nosso interior para o ambiente em que vivemos, começando por nós mesmos. Isso certamente irá impulsionar ainda mais o movimento dos programas e estudos, assim como da divulgação pela mídia.

Comece agora, com você mesmo (a)!