Opiniões

30 DE AGOSTO DE 2021

O equilíbrio que falta

Por: Humberto Challoub

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A polarização e o acirramento das disputas políticas – protagonizadas por denúncias de corrupção, ameaças de golpe e atritos entre os poderes da República – em nada tem contribuído para ajudar o País a superar as dificuldades sociais e econômicas enfrentadas pela população.

Ao contrário, a ausência de qualidade ética e moral que permeia o caráter de boa parte das autoridades públicas que hoje ocupam cargos importantes nos âmbitos do Executivo, Legislativo e Judiciário tem estimulado o radicalismo e a polarização de posições contraditórias, induzindo a consequências imprevisíveis.
Mesmo que reconhecidos os avanços obtidos na organização das disputas pelos cargos eletivos, fica evidente que o processo ainda necessita ser aperfeiçoado para que possa ostentar, em toda a sua amplitude, os princípios de representatividade e legitimidade inerentes ao regime democrático.

É preciso reconhecer a necessidade de revisão do atual modelo político adotado no Brasil, especialmente com o aperfeiçoamento das normas que orientam a criação e manutenção das legendas partidárias, os critérios de proporcionalidade estabelecidos para a formação dos legislativos e, notadamente, de valorização da fidelidade aos ideais e conteúdos programáticos defendidos pelas agremiações políticas.

A excessiva personificação das candidaturas, como se vê no momento, tem favorecido o surgimento de falsas lideranças e concentrado nas mãos de poucos as decisões de relevância para a sociedade, subtraindo assim a possibilidade de participação organizada das comunidades interessadas.

Contudo, não é possível aceitar alterações por conveniência promovidas por oportunistas que têm como único objetivo a perpetuação no poder.

Nesse sentido, cabe ao Senado rejeitar a proposta de mudança das regras eleitorais aprovadas recentemente pela Câmara, reintroduzindo normas que notadamente já se mostraram prejudiciais à sociedade, como a possibilidade de coligações nas disputas proporcionais e a retirada da cláusula de barreiras, que tem como principal objetivo reduzir o excessivo número de partidos políticos.
Ao eleitor, por sua vez, cabe o entendimento de que o exercício de cidadania sobrepõe o simples ato de comparecimento às urnas.

O papel de agente participativo e fiscalizador deve ser cumprido de forma efetiva e contínua, com equilíbrio e sem radicalismos que estimulam a violência e a desunião.

O desinteresse e a omissão tornam férteis os espaços para a proliferação da corrupção e perpetuam a existência dos maus políticos, tornando mais distantes as soluções dos principais problemas enfrentados pela coletividade.

Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação.

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