Dr. Bruno Pompeu

Triste fim!

02 de fevereiro de 2012 - 17:38

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Há alguns anos, nos apaixonamos ferozmente. Eu, saído de um relacionamento confuso e frágil, sofrido e deprimido, ela, que pouco sabia de seu passado, rápida e fortemente nos unimos. Protegidos pelo santo códon, durante meses fizemos sexo pagão sob juras de amor eterno. Após um ano de amor carnal devasso, resolvemos, na calmaria dos amantes, nos descamisar do preservativo. Aí, tudo mudou.


Passei por doenças mal explicadas, sudorese à noite, perda progressiva de peso, lesões de pele incuráveis com pouca ou nenhuma resposta a tratamentos agressivos. Ela, minha amada, nada apresentava e sempre me ajudava nas crises de febre, resfriados incuráveis e tosses com pouca secreção, mas perpétuas e rebeldes. Saíamos muito e passei a não mais querer contato e convívio social. Mal aguentava o trabalho e quando chegava em casa, só a cama servia-me de consolo aprazível. Perdi cabelo, dentes enfraqueceram e minha cútis tornou-se lívida. A comida era aversiva e vitaminas nada resolviam.


Fui procurar atendimento em serviço público e após meses de peregrinação recebi a notícia: “você está com AIDS”. Chorei muito e senti o chão fugir de meus pés. Achei um médico bom, num centro de referência em AIDS. Segui seus conselhos, relutei muito mas tomei o tal do coquetel. Cheguei a ser internado várias vezes inconsciente, ora com neurotuberculose ora por neurotoxoplasmose. A última internação foi por meningite viral quando não consegui reagir e tudo acabou. Minha amada, cansada e derrotada, deixou-me faz tempo, já está com outro e tudo indica que a história se repetirá com o novo felizardo.


Hoje, missa de sétimo dia de minha morte, tudo volta ao normal e o novo casal, em sexo pagão e descomprometido, fortalece ainda mais o vírus da AIDS. Saudades do preservativo!