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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Vida

Sci-fi se mostra um terror interessante e tenso. Confira a crítica.

26 de abril de 2017 - 20:04

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bannerAlgumas veze o cinema te surpreende. No caso de Vida, não por causa de alguma reviravolta ou novidade, já que tudo é até bem óbvio, mas pela expectativa de entrar no cinema para ver uma cópia de Alien – O Oitavo Passageiro e dar de cara com uma cópia de Alien, mas uma baita divertida e interessante cópia.

O filme dirigido pelo mesmo Daniel Espinosa do movimentado Protegendo o Inimigo é ainda escrito pela dupla Rhett Reese e Paul Wernick, que recentemente estouraram Hollywood com o texto de Deadpool (antes disso ainda escreveram Zumbilândia). Principalmente a dupla de roteiristas demonstra mais uma vez que que sabem lidar com filmes de gênero. E volto a repetir, assim como seus outros dois filmes, não existe nada de novo, mas sim de bem feito.

Nele, um grupo de astronautas na Estação Espacial Internacional está à espera de uma sonda vinda de Marte que traz material de sua superfície. Diante do perigo e das várias possibilidades de algo dar errado, a equipe precisa fazer alguns testes no material. Mas falando em “alguma coisa poder dar errado”, o micro organismo encontrado no material se transforma em um predador que colocará toda a missão (e o planeta Terra) em perigo.

O resto todo mundo já pode imaginar, um a um esses astronautas vão sendo mortos e no final algum único sobrevivente foge em um “scape pod” qualquer (não, não é a Ripley). E ainda que vocês tenham visto isso em diversos e diversos lugares e situações, esqueçam o destino, a graça de Vida está na jornada.

E ainda que o final guarde uma grande parcela de surpresas, é o miolo, tenso, bem filmado e que abraça uma pegada “sci-fi bezão” que é um deleite para os fãs do gênero. Espinosa valoriza os cenários apertados e claustrofóbicos e cria uma tensão que vai fazer muita gente sair do cinema com as unhas roídas. É como se o diretor visse no Alien de Ridley Scott uma inspiração tão forte que não o permitiria fazer nada melhor, então parte para uma espécie de homenagem estética que fará muita gente enxergar as semelhanças óbvias no final e até em detalhes como o da criatura se transformando em um ponto vermelho em um mapa.

Por outro lado, do mesmo jeito que Sigourney Weaver não era a protagonista de Alien, até se tornar uma sobrevivente, Vida também não coloca o alvo nas costas de Rebecca Ferguson até bem depois de você perceber que as estrelas Ryan Reynolds e Jake Gyllenhaal não são.

2219634 - LIFEE falando em “estrelas”, Calvin, batizado por um colégio na Terra depois de uma competição enquanto usam a sequência para apresentar a equipe, é um pequeno espetáculo à parte. Não que ele tenha pretensões de ser lembrado depois disso, mas a criatura funciona tão bem que é quase uma pena que isso venha a acontecer. Meio nojentinha, pegajosa, feia e mortal, Calvin funciona melhor que a maioria do gênero, justamente, porque não querer ser lembrado. Principalmente por parecer ser criado para aquela função específica e só.

Do outro lado disso está Espinosa partindo para o lado contrário do gênero, trabalhando em um cenário característico pela iluminação clara e uma branquidade quase higiênica, Calvin é mostrado em toda sua mistura de polvo com estrela do mar e monstro genérico, nunca se esgueirando por sombras ou assustando ninguém. Como se Espinosa entendesse que a criatura é tão infalível e inteligente que não precisaria se esconder em lugar nenhum.

Ainda no trabalho do diretor, seja enquanto passeia sem cortes por dentro da Estação, quando vai pelo lado de fora ou comanda bem uma sequência final que sem o devido cuidado poderia naufragar, Espinosa faz um trabalho claro, visual, cheio de ritmo e que faz de Vida um grande exemplo do gênero que, infelizmente, deve acabar sendo ignorado por muita gente.

Já sobre o final, e com um pequeno Spoiler (se não quer saber, então o texto acabou para você!). Vida ainda tem um daqueles momentos que mostram o conhecimento do gênero, que quase nunca é otimista com suas conclusões, mas aqui ainda o faz com requintes de crueldade colocando o personagem cansado da humanidade e de sua violência e mazelas levando para ela a sua possível extinção.

E isso pode ser chamado de “surpresinha”, mas também de cuidado. E é esse cuidado que vale a pena ser conferido em Vida, que é sim uma cópia de Alien, mas uma ótima cópia.

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