Viradas inesquecíveis marcam os 110 anos do Santos FC | Boqnews
Foto: Divulgação/SFC

Esportes

14 DE ABRIL DE 2022

Viradas inesquecíveis marcam os 110 anos do Santos FC

Uma das marcas do Alvinegro Praiano é ser o ‘Time da Virada’

Por: João Pedro Bezerra

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Nesta quinta-feira (14), o Santos FC completa mais um ano de sua rica história. A equipe da Vila Belmiro faz 110 anos, ostentando uma marca espetacular de títulos: Mundial Interclubes (2), Copa Libertadores (3), Copa Conmebol (1), Recopa Sul-Americana (1), Campeonato Brasileiro (8), Copa do Brasil (1), Torneio Rio-São Paulo (5) e Campeonato Paulista (22).

O atual momento do clube é delicado, mas a história já provou que o Peixe consegue se reerguer nos momentos mais difíceis, sempre apostando nos jovens da base e no DNA ofensivo.

Outra característica do Santos é ser lembrado como o ‘time da virada’, inclusive a torcida tem uma música tradicional com a frase. Afinal ao longo das 11 décadas, o Peixe já conseguiu retomadas históricas.

Santos x Fluminense 1995

Giovanni foi o grande destaque do triunfo do Peixe diante do Fluminense/Foto: Divulgação/SFC

A virada mais marcante do Alvinegro Praiano aconteceu no Campeonato Brasileiro de 1995.

Apesar da melhor campanha do campeonato, o time foi goleado pelo Fluminense, no jogo de ida da semifinal do Brasileirão por 4 x 1, no Maracanã. “Estava 2 x 1 para o Fluminense, fiz uma falta e acabei sendo expulso. No fim, o Tricolor marcou mais dois gols. Assim eu fiquei de fora no jogo de volta. Quando ligamos a televisão para assistir os programas esportivos, os jogadores das equipes do Rio de Janeiro, falaram que a final já era carioca”, recorda o meia-atacante Jamelli.

O resultado e o período de vacas magras não abalaram a equipe comandada pelo técnico Cabralzinho e principalmente a torcida que lotou o Pacaembu. Assim, o Peixe precisava vencer por três gols de diferença para chegar na final.

“O Giovanni, que era minha dupla de quarto, falou que ia marcar dois gols, o Macedo falou que fazia um, o Camanducaia, o Marcelo Passos também e o grupo se uniu para a virada, isso ainda no aeroporto”, citou Jamelli

Não restando outra alternativa, a equipe da Vila Belmiro foi para o ataque e a pressão deu certo.

No primeiro tempo, Giovanni marcou dois gols e encheu os santistas de esperança. A cena que marcou o jogo foi no intervalo, quando os jogadores não desceram para o vestiário e ficaram no centro do gramado, recebendo o apoio dos torcedores. “O grupo tinha conversado que se tivesse bem na partida ficaria no campo”, citou Jamelli.

No início da etapa complementar, Macedo ampliou o placar e fez o gol que classificava o Peixe. Porém, não deu para comemorar, pois logo em seguida, Rogerinho marcou para o Fluminense e colocou os cariocas em vantagem.

Entretanto, o gol não surtiu efeito, o Peixe não parou de atacar, fazendo uma de suas melhores atuações da história.

Giovanni, ídolo do Santos deu dois passes para gol, o último de calcanhar e assim Camanducaia e Marcelo Passos marcaram o quarto e o quinto gols. O Fluminense chegou a diminuir com Rogerinho novamente, mas o 5 x 2 dava a classificação para o Santos. A virada foi comemorada como um título para os torcedores.“Me sinto orgulhoso até hoje de ter participado deste time de 1995”, finalizou Jamelli.

Mundial

Santos conquistou o título no Maracanã/Foto: Divulgação

O bicampeonato mundial do Santos em 1963 foi conquistado em uma grande virada. Na época, o torneio entre os campeões da Copa Libertadores e da Champions League era disputado em dois jogos e mais um terceiro em caso de empate. Na primeira partida disputada na Itália, a equipe brasileira foi derrotada pelo placar de 4 x 2. Pelé acabou marcando os gols do Santos.

No jogo de volta no Maracanã, o Milan abriu 2 x 0 no primeiro tempo e parecia que o clube italiano ficaria com o título, mas para uma geração que marcou época na história do futebol mundial nada era impossível.

“Pior do que estava não podia ficar. Nós fomos para o vestiário e falamos que o Milan aproveitou nossas falhas e não mostrou ser uma equipe melhor do que a nossa. Apesar da desvantagem era possível uma virada”, conta o ídolo santista Lima.

Dessa forma, o Peixe marcou 4 gols na etapa complementar (Pepe 2 gols, Almir e Lima). O resultado forçou o terceiro jogo que também foi disputado no Maracanã. Lima ressalta que o dia que antecedeu a grande final foi mais difícil que os 90 minutos.Em uma partida disputada, o Peixe só conseguiu furar a defesa do Milan com um gol de pênalti de Dalmo, o suficiente para a conquista do bicampeonato mundial. “Foi lindo, eu me emociono até hoje.

O Maracanã estava lotado, tinha pessoas de todo o Brasil para acompanhar o Santos. Eu me lembro muito bem deste dia que entrou para a história como uma das maiores vitórias do clube em todos os tempos”, frisou Lima.

Vale destacar que Pelé não jogou as duas partidas no Brasil, pois estava lesionado.

Mas para um time que tinha Zito, Pepe, Mengálvio, Dorval e Coutinho, perder o Rei do Futebol era apenas um detalhe.

Mais uma virada em final

Peixe derrotou o São Caetano em 2007/ Foto: Divulgação/SFC

No ano de 2007, o Santos fez uma campanha espetacular no Campeonato Paulista. Contudo no primeiro jogo da final, o Peixe acabou sendo surpreendido pelo São Caetano por 2 x 0. Com isso, a equipe do técnico Vanderlei Luxemburgo precisava vencer por dois gols de diferença para ficar com o título, por conta da melhor campanha. Vale lembrar que o Santos já tinha conquistado o Paulistão no ano de 2006.

No primeiro tempo, o zagueiro Adailton abriu o placar.

Apesar da insistência, o Peixe não conseguia marcar o segundo gol e o título caminhava para a equipe do ABC paulista.

Só que o São Caetano não contava com a estrela do técnico Vanderlei Luxemburgo. E

le colocou o jovem atacante Moraes que aproveitou um bom cruzamento de Kléber e marcou o gol do título aos 36 minutos do segundo tempo.

Clássicos

Santos reverteu o placar contra o Palmeiras em 2015/Foto: Divulgação/SFC

As viradas em clássicos também marcam a história do Santos FC. Uma das mais marcantes aconteceu na semifinal do Campeonato Paulista de 2000. Palmeiras e Santos empataram sem gols no primeiro jogo do Morumbi. Na partida de volta, o Alviverde abriu 2 x 0 e ainda tinha a vantagem do empate. A reação do Peixe começou aos 24 minutos do segundo tempo, com um golaço de Eduardo Marques.

Aos 33 minutos, Anderson empatou e nos minutos finais Dodô fez o gol da virada heroica.

Vale destacar que o último título do Peixe em cima de um rival também contou com uma virada especial.

No Campeonato Paulista de 2015, o Alvinegro Praiano perdeu para o Palmeiras por 1 x 0 no Allianz Parque.

Só que no jogo de volta, o Peixe conseguiu dar o troco no rival. David Braz e Ricardo Oliveira marcaram os gols do Santos, o Palmeiras diminuiu com Lucas.

O resultado levou a partida para os pênaltis. O herói do título acabou sendo o goleiro Vladimir que defendeu o pênalti cobrado por Rafael Marques.

Viradas em campanhas

Virada no Brasileirão em 2004 foi repleta de emoção/Foto: Divulgação/SFC

As viradas do Santos não ficam restritas apenas aos jogos.

Em 2002, o Santos ficou em oitavo lugar no Brasileirão. Mas na fase dos mata-matas foi vencendo até chegar à vitória heróica contra o Corinthians. Situação parecida – agora por pontos corridos – ocorreu no título do Campeonato Brasileiro de 2004.

A equipe chegou a entrar na zona de rebaixamento no início do torneio. Contudo, o time que tinha como destaque Robinho, Elano, Ricardinho e Deivid conseguiu uma grande arrancada.

Na penúltima rodada, o Santos ultrapassou o Athletico/PR e assumiu a liderança. A confirmação do título veio no último jogo contra o Vasco, quando o Alvinegro venceu a equipe carioca pelo placar de 2 x 1, gols de Ricardinho e Elano.

Já na Libertadores de 2011, o Peixe não venceu os três primeiros jogos da fase de grupos.

O primeiro triunfo só veio contra o Colo-Colo na Vila Belmiro. A vitória por 3 x 2 não trouxe apenas alegria, mas também preocupação, pois Neymar, Elano e Zé Eduardo foram expulsos. No jogo seguinte, o Peixe não podia sequer empatar contra o Cerro Porteño em Assunção, exatamente no dia do aniversário do clube.

A sorte do Santos é que Paulo Henrique Ganso, Danilo e toda linha defensiva estava inspirada e o Peixe venceu por 2 x 1 na estreia de Muricy Ramalho na Libertadores. Após isso, a equipe se fortaleceu e seguiu a jornada até o título diante do Peñarol, no Pacaembu. Neymar e Danilo fizeram o gol do tri da América.

Grande estilo

Neymar e Ganso comandaram a goleada do Santos contra o Bolívar/Foto: Divulgação/SFC

As viradas em grande estilo não poderiam faltar. Na Copa do Brasil de 2010, o Grêmio derrotou o Santos pelo placar de 4 x 3 no jogo de ida da semifinal.

Uma das marcas do Peixe, comandado pelo técnico Dorival Júnior, eram as danças no momento de comemoração do gol.

A imprensa gaúcha tirou onda com o Alvinegro, dizendo que o Santos dançou o Elimination, trocadilho da música Rebolation, sucesso naquele ano. Entretanto, na Vila Belmiro, o Santos não tomou conhecimento do Imortal e com golaços de Paulo Henrique Ganso, Robinho e Wesley, o time derrotou o Grêmio por 3 x 1 e avançou para a final, onde conquistou o título inédito.

Dois anos mais tarde pela Copa Libertadores, o Santos enfrentou o Bolivar nas oitavas de final. No primeiro jogo, a equipe da Vila Belmiro sofreu com a altitude de La Paz e perdeu por 2 x 1.

Durante a partida, os jogadores do time boliviano provocaram os atletas do Peixe, inclusive o treinador do Bolivar disse que não conhecia o atacante Neymar.

Para pesadelo dos bolivianos, eles conheceram Neymar da pior maneira possível. O Santos aplicou um chocolate na Vila pelo placar de 8 x 0, em um dos maiores jogos da história da Libertadores. Um dos maiores ídolos do Santos, o lateral esquerdo Léo estava naquela partida. Ele destaca que antes do jogo da volta, os atletas do Bolivar citaram que o Santos era um time de moleques.

“A gente sabia que no jogo de volta não teria altitude. Não é desculpa, mas a altitude compromete muito o desempenho. Mas na Vila, nós conseguimos dar o troco com requintes de crueldade, não foi só uma grande exibição, foi uma vitória categórica de uma superioridade absurda. Esse jogo entrou para a história”, relembra.

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