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Nacional

17 DE SETEMBRO DE 2010

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Minha candidatura é subversiva

Plinio de Arruda Sampaio é do contra e, ao mesmo tempo, coerente. Discorda sempre. Argumenta com polidez, profundidade, bom humor e dados estatísticos. Em visita a Santos, o candidato do PSOL, de 80 anos e 60 de vida pública, manteve a postura de campanha: críticas ao governo Lula, propostas vinculadas ao que define como socialismo […]

Por: Da Redação

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Plinio de Arruda Sampaio é do contra e, ao mesmo tempo, coerente. Discorda sempre. Argumenta com polidez, profundidade, bom humor e dados estatísticos. Em visita a Santos, o candidato do PSOL, de 80 anos e 60 de vida pública, manteve a postura de campanha: críticas ao governo Lula, propostas vinculadas ao que define como socialismo democrático e frases de efeito contra adversários e instituições para segurar a atenção da plateia.


É um discurso que agrada muitos universitários, por exemplo. Ele foi aplaudido quando entrou em um dos auditórios da Universidade Católica de Santos, última etapa de recente visita à cidade. Estava com os braços erguidos, de punhos cerrados, como se comemorasse um gol. Cerca de 200 pessoas, entre militantes, estudantes e professores, o esperavam para a palestra “A verdade sobre o Brasil”. Uma parte do público ficou de fora e teve que acompanhá-lo em outra sala, por um telão.


Antes e depois da palestra, o candidato cumpriu os rituais da corrida eleitoral. Tirou fotos, deu entrevistas, distribuiu abraços e beijos em potenciais eleitores de todas as idades. E também falou de política e economia, foco tradicional de seus discursos.


Plinio de Arruda Sampaio, que foi um dos principais intelectuais do PT, hoje se veste como um de seus maiores críticos. “Nunca vi o Brasil com tanta dificuldade. Nosso país está para trás. 30 milhões de pessoas entraram na classe média? Mentira! O filho estuda em escola sucateada. O Bolsa-família engana a fome. Como alimentar uma família com esta quantia (R$ 90)?”.


Ex-promotor público e deputado federal por três mandatos, Plinio afirmou que sua candidatura tem como objetivo se contrapor ao modelo atual. “Eu assusto. Por isso, sou considerado ultra-radical. É a candidatura da subversão, do contraponto, da divergência. Quem não quer mudança, não vote em mim.”


O discurso de Plinio de Arruda Sampaio funciona como uma metralhadora giratória. Nenhuma instituição é poupada. Mídia, Governo, universidades. O candidato do PSOL alega, por exemplo, que é censurado pelos meios de comunicação. “A mídia não dá folga. Tenta esconder minha candidatura. Sou contra a censura porque sou censurado. Se não tivéssemos três deputados federais e um senador, minha candidatura seria tão oculta quanto a pobreza.”


Eco-capitalista


As críticas sempre esbarram no modelo econômico. O capitalismo é o alvo principal. Para ele, a crise não é do capital, mas do trabalho. “Melhorou o emprego, mas com carteira assinada para vagas vagabundas. O capitalismo é a barbárie. Ele tem que excluir e gerar violência. Mudou o vento, cai como um castelo de cartas.”


Os adversários também são ironizados. Plinio de Arruda Sampaio define a candidata do PV, Marina Silva, como eco-capitalista. “O eco-capitalista nunca dá a dose certa. Parece minha mulher quando toma remédio. Se não der a dose certa, o remédio não serve para nada.” O presidente Lula, para ele, é o “sheik do petróleo, mas presta serviço de graça para o Obama.”


Como principal representante da esquerda na disputa pela presidência, Plinio de Arruda Sampaio se utiliza de jargões para reafirmar a retórica socialista. Usou, por exemplo, a palavra “companheiro” cinco vezes. Elogiou Cuba e Venezuela. “Cuba é uma ditadura, mas um homem cubano – sem preconceitos – tem mais direitos do que o pobre brasileiro.”


Plinio de Arruda Sampaio não se irrita com críticas, provocações ou ironias sobre sua candidatura. Repete, sempre que vê brecha, o discurso de que estará no segundo turno, ainda que as pesquisas apontem o nome dele com 1% das intenções de voto.


A um mês da eleição, ele descartou qualquer forma de apoio a Dilma Rouseff (PT) e José Serra (PSDB) e não falou em abrir o voto da militância. “Segundo turno é outra eleição. Eu não vou dar palpite sobre o que vai acontecer adiante. Até porque estarei lá.”


Pré-sal


Como qualquer candidato, o representante do PSOL procurou abordar temas que estivessem relacionados com a região em que visitou. Mas sem se aprofundar ou fazer promessas específicas. Em Santos, falou cerca de 10 minutos sobre o pré-sal. Para Plínio, é fundamental estudar o tema a fundo, avaliando perigos ambientais, custos e limitações tecnológicas. Depois disso, se eleito, faria um plebiscito sobre o tema. “A Venezuela explora petróleo há 70 anos e está com a economia arrasada.”


O representante do PSOL se apóia, com freqüência, em outro mecanismo de aproximação: ser auto-referente, brincar consigo mesmo. Diante da plateia composta na maioria por jovens entre 20 e 25 anos, o candidato ironizou várias vezes a diferença de idade. Perguntou, por exemplo, quem utilizava o Twitter (rede social na Internet).


Com a resposta negativa da maioria, ele disse: “Antigamente, tínhamos que berrar no palanque e trazer Chitãozinho e Xororó para cantar. A TV acabou com os comícios. Esta é a última eleição da TV. Na Internet, o candidato fala direto com o eleitor. Só o Tiririca vai me derrotar!”. Plinio utiliza o Twitter como ferramenta de campanha. Tem quase 30 mil seguidores nesta rede social.


O candidato do PSOL se definiu como um homem de partido ao explicar o recuo na proposta de fechar o Senado Federal. “Levei uma reprimenda do partido. Guardei minha opinião. Mas sou contra o Senado porque o Brasil não é uma república federativa.”


Depois de uma hora e meia, Plinio saiu cercado de militantes do PSOL e estudantes. Sorridente, ele lamentou não ficar mais tempo. Precisava voltar a São Paulo para descansar e se preparar para o debate na Rede TV, daqui a uma semana. “Debate é sempre uma luta de boxe.”

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