Saúde

Hipertensão arterial merece cuidados redobrados durante pandemia

Além de estar relacionada ao aumento das complicações da Covid-19, pressão alta está associada às principais causas de mortes no Brasil, como o infarto e acidente vascular

21 de abril de 2020 - 13:06

Da Redação

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Dia 26 de abril é o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Hipertensão, doença silenciosa que mata cerca de 830 pessoas por dia, 300 mil por ano, de acordo com dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.

Em tempos de pandemia, a prevenção e cuidados com esta doença devem ser ainda maiores.

Segundo o cardiologista da Centermed Santos e Instituto Santista de Hemodinâmica, Luiz Cláudio Mendes Carvalho, os hipertensos estão entre os principais pacientes que podem sofrer complicações pelo coronavírus.

“Nosso sistema imunológico conta com células de defesa, como os neutrófilos, que são responsáveis pela defesa primária contra vírus e bactérias. Com a hipertensão essas células se enfraquecem, fazendo com que o organismo não consiga eliminar o coronavírus de maneira efetiva, ou seja, ele se espalha mais rápido, atingindo órgãos como o pulmão, podendo causar uma pneumonia viral”, explica.

O especialista ressalta que a hipertensão arterial está relacionada ao aumento das complicações de coronavírus, mas principalmente aos eventos cardiovasculares como o infarto do miocárdico, acidente vascular cerebral e também com o desenvolvimento de insuficiência cardíaca e insuficiência renal crônica, que são algumas das principais causas de óbito no Brasil, entre doenças não transmissíveis.

“Percebemos no último mês uma queda no número de atendimentos de emergências cardiovasculares, cerca de 70% menor, e aumento de mortes em domicílio, muito provável pelo medo das pessoas de irem até hospitais em busca de atendimento médico. Por isso, a prevenção e controle da pressão é tão importante.  A hipertensão arterial é uma doença crônica que precisa de atenção contínua para evitar problemas cardiovasculares, o infarto e até mesmo as complicações da Covid-19”, salienta o cardiologista.

A doença

A hipertensão arterial, ou pressão alta como é popularmente conhecida, é uma condição clínica caracterizada pela pressão acima de 140 x 90 mmhg.

Cerca de 90% a 95% dos hipertensos é portador da chamada hipertensão primária, que é quando não é possível identificar quais fatores provocaram a doença. Por outro lado, cerca de 5% a 10% dos hipertensos, desenvolvem a hipertensão secundária, ou seja, aquela que aparece através de uma causa que podemos identificar e tratar de forma definitiva.

Entre as causas secundárias que podem causar a hipertensão arterial, estão alcoolismo, apneia do sono, obesidade, uso de medicações como anticoncepcionais e anti-inflamatórios, uso de drogas ilícitas, além de doenças renais, da aorta, tireoide e hipófise.

Na maior parte das vezes, os sintomas não aparecem.

Mas quando a pressão já está muito elevada, é possível haver dor de cabeça associada à tontura, distúrbios visuais e outros sintomas neurológicos, como por exemplo, confusão mental, o que, segundo o especialista, caracteriza um quadro de emergência requerendo atendimento médico imediato.

Para controle desse quadro clínico, o médico orienta que é fundamental tomar a medicação anti-hipertensiva continuamente, praticar atividade física regularmente com orientação médica, ingerir pouco sal, ter uma alimentação saudável, parar de fumar e controlar o peso e o stress.

“Neste período de isolamento, é muito importante que os hipertensos mantenham esses cuidados e também realizem a medição domiciliar da pressão arterial e mantam-se hidratados. E ressalto que, ao sentir qualquer mal-estar, não hesite em procurar atendimento médico”, finaliza o Dr. Luiz Claudio.

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