Dr. Bruno Pompeu

Esse meu pé…

17 de janeiro de 2013 - 17:48

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Estou acordando de um sono muito profundo. Minha última lembrança era de uma situação gravíssima, quando estava para perder um dos pés por um diabetes pessimamente controlado por descuido meu. Estava em um leito hospitalar e, já apagado, percebia a preocupação de meus médicos queridos tentando me ressuscitar após uma parada cardíaca por septicemia grave. Mas nada podiam fazer.
Consigo lembrar de uma residente desesperada realizando manobras de cardioversão sem êxito e seu semblante era de desespero. Os médicos mais velhos, acostumados com a morte, já calejados, tentavam persuadir a jovem que tudo já acabara fazia 20 minutos. 
Chegou a minha vez, e agora estou acordando do outro lado. Não reconheço o local e minha visão está muito alterada. Somente sinto coisas boas, noto a presença de pessoas queridas que já se foram me recepcionando e, ao mesmo tempo, noto que me confortam pela recém-chegada. Tenho a impressão de reconhecer alguns entes queridos, mas a ordem é sublimar sentimentos e amar todos de uma forma igual. Tive a sensação de reencontrar meu pai e meus avós – sentimento muito agradável –  numa paz interior com muita alegria. Fui orientado e catequizado a amar o próximo e programado para ajudar as pessoas. Ouvi que minha missão ao voltar era de proteger, ajudar, ser justo, acolher, aconselhar e orientar. Acima de tudo a amar as pessoas. Disseram-me que voltaria em breve.
Chegada a tal hora de retorno, gritos e ordens me assustam neste instante de extrema luz e ainda levo uma palmada por um mascarado de ponta-cabeça. Saio não sei por onde, mas de um lugar delicioso, aquecido e úmido e apresento-me num ambiente gelado e esterelizado. 
Choro compulsivamente enquanto minha platéia ri de emoção: acabo de nascer. Chego a não entender nada, pois na última viagem, a lembrança da despedida era de choro e tristeza devido ao fatídico pé diabético. Agora, levo um espetão no mesmo pé: é o Teste do Pezinho, atualizado e determinado pelo Ministério da Saúde em novembro de 2012, na prevenção e ou detecção de inúmeras doenças.
Por fim, reencontro fisionomias familiares de outrora. Passaram-se meses e tendo sido programado a esquecer tudo isso, recomeço uma nova vida num despertar para uma nova viagem. Esse meu pé…