Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Ficar em silêncio

30 de setembro de 2011 - 21:11

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Para muitas pessoas, a capacidade de ficar em silêncio no momento certo não é fácil. Como não reagir aquela colocação agressiva? Como não interromper alguém que está falando uma grande mentira? Como deixar passar as insinuações grosseiras do colega de trabalho? Como direcionar a conversa da pessoa prolixa que nunca termina o assunto? Como aceitar ser ofendido pelo pretenso amigo na frente dos outros?


As pessoas ansiosas e principalmente compulsivas para o falar, não conseguem ficar em silêncio, refletindo sobre o momento e a maneira certas de se dirigir ao outro. Falam imediatamente aquilo que vem à cabeça e logo se arrependem do que disseram sem pensar. “O ser humano é senhor da palavra pensada e escravo da anunciada”. Falou o que não devia, fica complicado voltar atrás. Quando as emoções como o medo e a raiva tomam conta do indivíduo, ele tem dificuldades para se controlar, ficar em silêncio e pensar com calma sobre a melhor forma de agir.


Quem demonstra o melhor uso positivo do poder? Aquele que briga e grita como uma galinha ou quem olha firme e em silêncio como o lobo? Não resta dúvida que a influência do lobo ganhará de longe da falta de educação da galinha. O ser humano, seja na vida pessoal ou no campo profissional, na função de especialista ou gerente, precisa saber escolher a hora de falar e a hora de ficar calado. Em diversas situações, é muito difícil resistir à tentação de ouvir a própria voz com a agradável sensação de transformar seus pensamentos em palavras eloquentes.


Por um lado, o falar faz com que a pessoa se sinta bem e alivia sua ansiedade. Por outro, permanecer em silêncio, ouvindo com atenção o outro, exige disciplina e força de vontade. Em muitas ocasiões, reagir com o silêncio, tendo uma expressão suave no olhar e um sorriso amável nos lábios é a mais poderosa das respostas. Um momento de grande sabedoria é refletir se o que vai ser dito é mais importante do que o silêncio. Se não for, ficar calado é a escolha certa.


Geralmente, as pessoas têm dificuldades para administrar o silêncio alheio. Quando ele se instala no interlocutor, não conseguem aguardar alguns segundos. Disparam imediatamente sua metralhadora verbal, como se o silêncio fosse um pecado mortal. O saber ouvir é uma das ferramentas mais importantes do processo de comunicação. Ficar calado na hora certa pode confirmar o respeito de uma pessoa por aquele que está falando, pois o ouve com atenção e não o interrompe na hora imprópria.


Como ouvir corretamente se não estiver com a boca fechada e a mente aberta para sintonizar na “estação” do outro? O silêncio bem utilizado demonstra a maturidade, a humildade, o poder sobre si mesmo e a força interior de alguém que sabe se conduzir com sucesso nos relacionamentos interpessoais. É sempre importante não esquecer que “o ser humano leva apenas dois anos ou menos para aprender a falar e toda uma vida para saber quando ficar em silêncio”.