Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Liderar a si mesmo

O maior desafio do líder é liderar a si mesmo. No entanto, executivos famosos pagam um preço muito alto por não perceberem isso.

27 de fevereiro de 2016 - 08:00

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O maior desafio do líder é liderar a si mesmo. No entanto, executivos famosos pagam um preço muito alto por não perceberem isso. O gerente precisa conhecer muito bem cada um de seus liderados, para dar conta do recado com excelência. Mas, para conhecer a equipe, é fundamental conhecer antes a si mesmo.

O líder responsável tem que satisfazer duas condições para ter a percepção correta do seu DNA emocional: saber fazer o certo e querer agir da forma certa. Muitos executivos preenchem a primeira condição, mas encontram muitas dificuldades e falham na segunda. Acham que não vale a pena o esforço ou não tem coragem para se defrontar com as próprias limitações.

Outro problema consiste na visão realista que o gerente deve ter sobre si mesmo. Parece que a natureza deu ao ser humano a habilidade de julgar todas as pessoas conhecidas – exceto a si mesmo.

As pessoas, sendo líderes ou não, tem a tendência de analisar os outros de acordo com suas ações, mas a si mesmo em função das intenções. Assim é muito comum alguém acreditar que não fez nada de errado, simplesmente porque suas intenções eram as melhores possíveis. Ele nunca se lembra do ditado: “O inferno está cheio de boas intenções”.

Existem líderes de renome que usam a lupa para encontrar defeitos nos outros, mas a luneta para achar os próprios. São do tipo de gestores que se encaram no espelho para celebrar os sucessos, mas olham por meio do vidro para encontrar os responsáveis pelos fracassos.

A maior dificuldade da liderança é, sem dúvida, a consciência que o líder deve ter sobre o seu próprio “eu” buscando ser honesto consigo mesmo ao reconhecer e procurar corrigir suas imperfeições.

O líder necessita desenvolver as competências que favorecem o autoconhecimento para conquistar seus desafios, atender às expectativas da equipe e os valores da organização.
A autoconsciência emocional significa que o líder deve conhecer e estar em sintonia com seus valores e crenças. Estes revelam quem ele realmente é por meio da qualidade da interação com os integrantes do seu círculo de relacionamento.

A integridade do líder se reflete no cumprimento das promessas feitas, no reconhecimento das próprias falhas, no pedir ajuda, no agir com franqueza com as pessoas certas e momentos adequados, e no respeito aos outros, principalmente os subordinados.

A autocrítica constante buscando consolidar os pontos fortes e aperfeiçoar os pontos a desenvolver deve ser exercida no dia-a-dia para que o líder possa evoluir como pessoa e profissional.

O autocontrole é fundamental, pois as palavras colocadas na hora errada e as agressões indevidas não podem ser apagadas como num toque de mágica. Manter a calma, procurando não se envolver em discussões impróprias nos momentos inadequados é o comportamento ideal a ser seguido.

A humildade positiva permite ao líder não ter vergonha de expor seus sentimentos e de pedir e aceitar conselhos. Existem cinco níveis relacionados aos conselhos normalmente utilizados pelas pessoas, que se apresentam em ordem crescente de eficácia: não querer nenhum conselho, não recusar conselhos, achar os conselhos bem vindos, buscar efetivamente os conselhos e seguir os bons conselhos.

Os últimos dois níveis precisam ser aplicados pelo gestor que repudia a arrogância e o sentimento negativo de ser o dono da verdade.