Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Lobo em pele de cordeiro

14 de julho de 2014 - 14:00

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O nome desse texto poderia ser auto-engano. Eu poderia também nessa semana falar de frustração, da derrota do Brasil na Copa, poderia falar do beijo entre mulheres na novela, poderia falar de tantas coisas que têm acontecido e nos mobilizam à reflexão.

Mas quero falar um pouco daquilo que parece que é, mas não é.

Doenças imaginárias, mulheres vítimas de um agressor ou seria um sedutor, imagens de ídolos de pés de barro, e tantas outras situações em que as pessoas e as situações se apresentam de um jeito que na verdade não são.

Não são casos isolados, qualquer um de nós, com um pouquinho de atenção, pode perceber quantas histórias conhecemos e em quantas nós mesmos nos enrolamos e participamos.

Na clínica de casal é muito comum verificarmos que aquele indivíduo mais fraco, mais doente ou mesmo mais inseguro é quem detém todo o poder de manipulação de uma família e muitas vezes perpetuando uma história em que não percebe que ele mesmo está aprisionado.

Quantas mulheres não seguram um casamento pela sua fraqueza em enfrentar a realidade da vida e também quantos homens não aprisionam suas famílias na falsa ilusão de que sem o seu poder, força, inteligência e, às vezes, dinheiro ninguém mais sobrevive. Isso só para citar um exemplo bem corriqueiro.

Na novela em que o beijo entre mulheres é o foco, temos um personagem que deveras merece muita atenção: é o do homem com olhos de lince, sedutor e que derruba toda e qualquer mulher por meio da atração que seus dotes proporcionam.

A grande decepção causada essa semana pela derrota da seleção canarinha, quando todos se imaginavam além da derrota e nós acreditamos nisso.

Não somos nem devemos querer ser deuses e nesse sentido nossas escolhas devem ter o olhar acurado da realidade das possibilidades de falha e de acertos do outro e também nossas.

Nessa semana, só para citar mais um caso, li que um pastor que prometia a cura gay aliciava meninos e a matéria tinha justamente esse título, que aproveito: Lobo em pele de cordeiro.

Portanto, sermos vítimas de lobos podem ocorrer, mas quando os lobos somos nós?

Pois bem, o texto de hoje não é para atirar pedras para todos os lados, mas sim para cada vez mais perceber o quanto as relações na horizontal são mais enriquecedoras e produtivas.

Abaixo o padrão hierárquico de poder. Salve a troca como instrumento de paz e convivência amorosa.