Panorama Regional
Fernando De Maria

Sem tréguas

O erro de análise do governo a respeito dos caminhoneiros enterra de vez uma eventual candidatura Temer ou quem queira seu apoio à sucessão presidencial.

28 de maio de 2018 - 16:28

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A expressão de incômodo (e preocupação) do presidente Michel Temer pedindo trégua aos caminhoneiros – responsáveis pela maior paralisação que este País já assistiu nos últimos anos – se assemelha ao cidadão, acuado, que implora perdão.

Afinal, os brasileiros têm possibilidade de pedir o mesmo diante de tantos descalabros que o atual mandatário do País tem enfiado goela abaixo, a despeito da grave situação social e econômica atual?

Igualmente, não é à toa que a popularidade presidencial beira o chão a ponto de, entre idas e vindas sobre a possibilidade de tentativa de reeleição, algo natural para quem está no poder, tal cenário se parece cada vez mais distante ao presidente, atropelado por trapalhadas e reiteradas denúncias.

Na verdade, o Governo Federal não calculou os impactos decorrentes das manifestações dos caminhoneiros, que pedem uma justa revisão e interrupção dos aumentos dos combustíveis.

No popular, o governo ‘pagou para ver’.

Logo, se deu mal. Muito mal.

Liberal demais

Os burocratas de Brasília não entenderam que em um país como o Brasil, com tantas desigualdades sociais, não se pode pensar de forma tão liberal como alguns tecnocratas apostam.

Aqui não é Inglaterra, nem Estados Unidos.

Além disso, tudo nasceu com a opção da Petrobras em atrelar os aumentos do dólar e da alta do petróleo aos repasses – consecutivos e praticamente diários nas últimas semanas – na tentativa de reerguer a empresa, que voltou a dar lucro e dividendos aos seus acionistas antes do recuo a qual foi obrigada a fazer em razão da pressão pública.

Assim, esquecem os políticos e burocratas – que nem devem saber o valor do litro da gasolina, pois têm direito às cotas públicas para abastecer seus confortáveis veículos – que os brasileiros comuns dependem dos combustíveis para sobreviver e se locomover, seja no transporte público, caro e ineficiente na maioria das vezes, mas que necessita do diesel tão sobretaxado por sucessivas siglas de impostos, seja no preço do simples botijão de gás ou para atividades profissionais.

A falta de sensibilidade é tanta que o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB) resolveu deixar Brasília no olho do furacão e retornar ao seu estado natal (Ceará) para fazer política e depois relaxar, deixando de lado a votação importante sobre a redução dos impostos sobre combustíveis.

Desta forma, diante da saraivada de críticas, recuou e retornou à Capital Federal às pressas.

Em suma, esse é um dos diversos motivos que não dá para dar trégua aos burocratas de Brasília!

Portanto: o povo cansou de tanto esperar pelo cumprimento de promessas.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil