Panorama Regional
Fernando De Maria

Ele e os outros

O risco de polarização dos extremos sem a devida discussão sobre projetos para o País em destaque na coluna do jornalista e professor universitário Fernando De Maria

05 de outubro de 2018 - 14:06

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Os brasileiros irão às urnas neste domingo (7) como se fossem torcedores a caminho do estádio já sabendo do resultado da partida antes do início do jogo.

Afinal, com a overdose de pesquisas eleitorais dos institutos tudo leva a crer na polarização entre o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e Fernando Haddad, do PT. Qualquer chance de milagre para alterar o cenário beira o zero nesta altura do campeonato.

Apesar de improvável, mas possível, não se pode descartar que muitos eleitores desejam o fim do jogo já neste domingo, o que seria lastimável.

Afinal, se isso, porventura, ocorrer será a primeira vez que um candidato presidencial não participa de uma campanha – neste caso em razão do atentado sofrido em Juiz de Fora há um mês – e se elege sem que a população conheça detalhes sobre suas propostas e ideias.

As ondas #elenão e #elesim, que ganharam as redes sociais, mostram o quanto as discussões ficaram rasas, com confrontos e impropérios expostos nas telas, transformando em uma guerra de ideias, imagens, fakes e ofensas.

Triste, portanto, para um País cujos desafios são imensos. Precisamos de paz e serenidade para voltar a crescer e não agressões e violência. Neste sentido, espera-se que em um eventual segundo turno efetivamente possamos conhecer detalhes sobre suas propostas, assim como do candidato oponente, no caso Haddad, se as tendências se confirmarem.

Por sua vez, o que para muitos pode parecer surpresa, na prática já era um cenário anunciado. O crescimento de Bolsonaro deve-se a vários fatores: o apoio de parcela da mídia, que muitas vezes o ironizava, mas lançava-lhe holofotes para o capitão reformado do Exército e deputado federal dar seus pitacos e destilar sua verve contra o PT; e o ódio em relação ao partido – e, como consequência ao ex-presidente Lula -, especialmente junto às classes mais abastadas, em razão dos esquemas e denúncias de corrupção em escala que atingiram o País, levando-o à uma tragédia econômica, com a explosão do desemprego.

Além disso, deve-se destacar a inoperância e incompetência do PSDB, principal oponente petista após a eleição de 2014, quando Aécio Neves perdeu por 3,5 milhões para Dilma Rousseff, que não soube assumir o controle da oposição de fato.

As vaidades do tucanato se refletem agora no pífio desempenho do candidato do partido Geraldo Alckmin, cujo maior tempo no horário eleitoral é inversamente proporcional aos indicadores nas pesquisas. Inclusive em São Paulo, estado onde governou durante 13 anos, entre idas e vindas.

Isso porque, Bolsonaro, com seu jeito rústico e hoje repaginado, de fala fácil e direta, conquistou a opinião daqueles que não querem o PT no poder, ocupando o real espaço da oposição.

Assim, caso seja confirmado o segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, a ocorrer no próximo dia 28, ficará claro que a escolha do novo presidente dependerá do #elesim ou #elenão. Pobre País.

Afinal, o Brasil vivenciará seus extremos, à direita ou esquerda, com uma discussão rasa e lamentável diante das necessidades emergentes que a Nação e o povo necessitam. Pobres de nós.