Panorama Regional
Fernando De Maria

O Porto é Agro

Hoje, 50% da movimentação de cargas no Porto de Santos está atrelada à movimentação de cargas vegetais. Ou seja, o Porto de Santos é agro. Confira a nova coluna do jornalista e professor universitário Fernando De Maria

27 de janeiro de 2018 - 11:37

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O Porto de Santos concentra boa parte da movimentação de produtos vegetais do Pais, especialmente na região Centro-Oeste
(Foto: Marcos Vergueiro/ Secom MT)

Janeiro é um mês repleto de aniversários em âmbito regional.

Guarujá (padroeiro – dia 15), Praia Grande (19), São Vicente (22), Santos (26) e o Porto, que completa 126 anos de existência no dia 2 de fevereiro.

Responsável pelo desenvolvimento metropolitano, não é possível conceber qualquer planejamento sem levar em consideração o impacto do setor portuário no cotidiano das cidades, principalmente Santos, Guarujá e, um pouco menos, Cubatão.

Porém, os efeitos se ampliam aos municípios vizinhos, seja na geração de receitas, seja na de empregos diretos e indiretos.

O recorde histórico de quase 130 milhões de toneladas de movimentação de cargas pelo cais santista em 2017 é um sopro de otimismo em meio às incertezas econômicas e políticas.

Tudo graças ao agrobusiness, que responde por quase 50% de toda a movimentação pelo cais santista, alimentando uma cadeia logística que começa no interior do País, passa por estradas e/ou a hidrovia (Tietê/Paraná), segue em direção ao litoral rumo aos pátios reguladores até chegar aos terminais.

Ou usando o modal ferroviário, ainda com espaço para crescimento, especialmente pelas vantagens oferecidas. Sejam econômicas ou ambientais.

Soma-se agora a possibilidade de expansão do uso de outro modal, o hidroviário, cujas cargas serão despachadas em Cubatão e rumarão em barcaças pelo estuário em direção aos terminais.

Uma economia de tempo, recursos e menor impacto ambiental, com redução no volume de caminhões em circulação.

Os caminhoneiros irão reclamar, mas a medida a ser anunciada nesta semana representará um avanço e o início da exploração deste modal, cuja potencialidade está adormecida.

Afinal, já foram identificados 200 quilômetros de vias navegáveis na região visando uma futura expansão portuária.

Sem contar na potencialidade da ligação das cidades – para transporte de passageiros – usando este modal alternativo ao VLT, que, além de mais custoso, pode ser uma alternativa às cidades do Litoral Sul ou Norte, fazendo a integração com outras formas de transporte.

Afinal, por que não investir em atracadouros nas cidades vizinhas para que o trajeto seja feito pelo litoral em direção a Santos ou Guarujá, por exemplo, que já os têm?

A natureza já fez sua parte, graças à nossa geografia. Resta aproveitá-la.

Oxalá o início desta exploração comercial abra as possibilidades de não se limitar apenas ao transporte de cargas, mas também de passageiros.

Santos

Não poderia deixar de parabenizar a Cidade por mais um aniversário.

Muitos gostam de criticá-la em razão da falta de oportunidades, discrepâncias sociais, custo de vida elevado – o que é verdade -, mas quando estão longe sentem saudades e uma ponta de inveja de não estarem aqui para poder curtir seus belos jardins, o pôr-do-sol na Ponta da Praia, sua rica história, a qualidade de vida oferecida, enfim, detalhes que só os santistas sabem o quanto representam em suas vidas.