Futuro do trabalho para os +50: Grandes oportunidades, grandes desafios | Boqnews
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26 de maio de 2023

Futuro do trabalho para os +50: Grandes oportunidades, grandes desafios

O mercado de trabalho é competitivo e por isso diversos jovens que querem entrar precisam se dedicar. Além disso, outra questão é como fica o futuro do trabalho para os maiores de 50 anos?

Com diversos avanços na tecnologias e métodos de trabalho nas diversas áreas, todos profissionais precisam se adaptar para poder concorrer às vagas.

Para ter noção, em 15 anos, o número de profissionais maiores de 50 anos dobrou no Brasil.

Em 2006, eram 4,4 milhões de pessoas. Já em 2021, passaram para 9,3 milhões.

O levantamento é do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ligado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

O jornalista, publicitário e marqueteiro Ricardo Mucci não acredita que o mercado de trabalho irá se “abrir” para os mais experientes. Conforme ele, um ponto é o preconceito etário – que ainda é muito forte nas empresas, pois classificam os profissionais experientes como caros e desatualizados em relação às tecnologias.

“Um dos mecanismos que estão se popularizando é o de consultoria especializada. Empresas como a Talento Sênior (talentosenior.com.br/), por exemplo, cadastram profissionais 50+ e oferecem seus serviços a startups que não podem pagar um profissional full-time, mas podem remunerar como consultoria”.

Mercado de trabalho

Quanto as políticas e programas governamentais que visam apoiar a empregabilidade e o desenvolvimento profissional dos trabalhadores mais maduros, Mucci cita que o envelhecimento acelerado da população brasileira pegou todo mundo de “calça curta”, como governo, empresas, sociedade e famílias.

Por exemplo, o Brasil ganha três pessoas 50+ e dois 60+ por minuto. Hoje, a população 50+ totaliza 55 milhões e os 60+ 35 milhões de brasileiros.
Inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define o envelhecimento da população mundial como um dos principais desafios que as nações têm pela frente neste século, porém ninguém se preparou adequadamente para enfrentar este processo. No Brasil, existe o Estatuto do Idoso, mas é pouco conhecido e raramente praticado.

“Há muito que se fazer para promover a inserção dos idosos no mercado de trabalho, mas acredito na geração de empregos formais, mas no empreendedorismo para atenuar o impacto socioeconômico do problema. Resta saber se o atual governo dará a devida prioridade ao problema”.

Além disso, não pode ser esquecido como a diversidade etária no local de trabalho pode ser valorizada e promovida.

De acordo com o jornalista, a diversidade etária é um ganha-ganha, porque o mix de experiências com o domínio das novas tecnologias pode permitir às empresas acertar mais e errar menos. “Não é inteligente subestimar as competências dos profissionais mais velhos”.

Mudanças

Segundo a cofundadora da Rede Conecta Gerações Luciana Corrêa, a evolução tecnológica, as transformações sociais e as demandas do mercado global estão impulsionando uma série de transformações significativas no mercado de trabalho.

Algumas das principais tendências são: automação e inteligência artificial, trabalho remoto e flexibilidade, ênfase na aprendizagem ao longo da vida e habilidades digitais e adaptabilidade. Mas afinal, como um profissional com mais de 50 anos pode se reinventar às novas demandas do mercado?

Luciana responde que aprender novas habilidades, adaptar o currículo e perfil online, networking e conexões profissionais, além de buscar mentoria e orientação são formas de se adaptar.

“Esse pode ser um processo gradual e demandar tempo. O profissional maduro deve estar disposto a perseverar, ser resiliente e ajustar sua estratégia conforme necessário. O aprendizado contínuo, a flexibilidade e a abertura para novas oportunidades são essenciais para se adaptar às novas demandas do mercado de trabalho”.

Setores

Um ponto importante são os possíveis setores que oferecem melhores oportunidades para os profissionais. Luciana cita os setores de consultoria, educação e treinamento, financeiro e bancário, saúde e cuidados, jurídico e recursos humanos.

“Embora a demanda por profissionais mais maduros esteja se expandindo em várias indústrias, existem setores específicos que geralmente oferecem melhores oportunidades de emprego para profissionais com mais experiência”.

Saúde mental

Além de conseguir um emprego ou até complementar a aposentadoria é de suma relevância garantir as saúdes mental e física. Com a aposentadoria, diversas pessoas pensam no que fazer e como passar o tempo e outras já planejam até antes de chegar a este momento.

Conforme o professor e doutor em Comunicação e Semiótica Américo Barbosa, alguns passos positivos para ter saúde mental é manter a mente ativa, ler livros, não notícias, pois são inconclusivas, ler livro com enredo, aliás, vários de preferência.

Ele também cita que o contato com a natureza ajuda bastante, assim como caminhar aumenta a memória e analisar a natureza possui um impacto por conta das imagens.

Contudo, o que poucas pessoas sabem é que o envelhecimento não chega apenas aos 50 anos. “Aos 25, você já começa a envelhecer, pois é a idade da arrogância. Aquela ideia de ir sempre pelo mesmo caminho, andar pelo mesmo lugar, mesmo restaurante. A ideia do “já sei” deixa de produzir neurotrofina (proteínas que fazem a ponte entre neurônios)”.

Detalhes

Portanto, o conselho de Barbosa é estar desperto o tempo todo, não pode aposentar a atenção. Até porque o cérebro se alimenta do humor e contraste. Se a inteligência não for usada, envelhece. Assim como a meditação é fundamental, pois estimula as percepções interna e externa.

Um detalhe é sobre qual a idade em que as pessoas são criativas ou têm maiores ideias, de acordo com o professor, justamente acontece aos 55 anos.

“Você nota, por exemplo, os presidentes das grandes empresas, a maioria possui mais de 50 anos. Então, se você der atenção à vida, a vida vai dar atenção a você”.

Dessa forma, existem desafios, mas também oportunidades para os maiores de 50 anos no mercado de trabalho.

A experiência, o aprendizado, a flexibilidade laboral, o empreendedorismo e a luta contra o preconceito etário são aspectos importantes que precisam ser considerados.

Com a devida preparação, esses profissionais podem se adaptar e aproveitar as mudanças no mundo do trabalho reinventando-se e atingindo sucesso em suas carreiras.

Vinícius Dantas, Da Redação
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